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O ADEUS A UM JOVEM ÍDOLO DESSES MENINOS COWBOYS

Dani - Viola Show | Fonte: Thaís Gianotti 14/05/2018 10h34

O ADEUS A UM JOVEM ÍDOLO DESSES MENINOS COWBOYS

Foto: Alberto Gonzaga

O ADEUS A UM JOVEM ÍDOLO DESSES MENINOS COWBOYS

"Abre a porteira
Que eu quero voar
Sou dessa raça de bota e chapéu
Sou cavaleiro singrando no ar
Meu sonho alado entre o chão e o céu"

Parecia um domingo normal, dormi cedo e acordei às 3 da manhã.

Abri o WhatsApp e me deparei com muitas mensagens e grupos desolados.

Não acreditei quando li a notícia do falecimento do competidor em touros Giliard Antônio, na arena do grandioso rodeio de Maringá, onde acontecia a semifinal de uma etapa da PBR Brazil.

Um menino de 24 anos que encontrei em vários eventos e vi ao vivo a garra e a competência para montar em touros, sempre com esse sorriso no rosto. Talentoso como poucos.

No topo do ranking em 2016, mais de um ano parado por uma lesão, tratamento, recuperação, retorno totalmente restabelecido, rodeios, Maringá, semifinal, oito segundos concluídos, uma montaria finalizada, uma mão enroscada, um pisão. Levantou e ali mesmo ficou...

Faleceu no lugar onde buscava seu maior sonho, dentro do maior campeonato de montaria em touros do mundo.

Sim, ele estava de colete.

Sim, havia salva-vidas de excelência.

Sim, ele recebeu atendimento médico de emergência imediatamente.

Não, nada disso anula os riscos que correm esses meninos cowboys.

Homem e touro são um conjunto, porém, enquanto um pesa setenta quilos, outro pesa quase uma tonelada.

Touro pula por índole e instinto.

Cowboy monta movido à paixão e ao sonho a ser conquistado.

P/ quem não sabe, eles são atletas profissionais no Brasil, reconhecidos pela Lei Federal 10.220/2001.

Vivemos em um país que não valoriza seus atletas do esporte rodeio como deveria.

Vivemos em um país onde o sonho desses meninos é chegar aos EUA e vencer o campeonato mundial. Lá, inclusive, muitos dos grandes ídolos são brasileiros com trajetórias como a de Giliard Antonio.

O Giliard? Um menino com a história igual da maioria.

Ia treinar escondido dos pais, sua mãe dizia que ia te bater na arena se o visse montando, pois sabia do perigo iminente.

Um peão como todos, que no início passou pelos lugares sem estrutura, sem ter onde ficar, sem ser valorizado...

Um peão como todos, com o grandioso sonho de ser o grande campeão mundial.

Dona Edirlene, impossível mensurar sua dor... ontem ele te escreveu um recado de dia das mães dizendo que lutava para ser alguém na vida, para dar orgulho à senhora. Tenha orgulho do seu filho, que teve a coragem de ir em busca do que sonhava, que chegou no topo neste país que, repito, valoriza tão pouco seus atletas desse esporte.

Nicole, seu marido foi um campeão, alguém que enfrentava o perigo com o sorriso no rosto e a fé inabalável.

Juliana, vc ainda é tão pequena, mas vc vai crescer ouvindo as histórias da grandiosidade do seu pai, um ídolo para os que acompanham a modalidade.

Giliard... seu sonho alado nesta noite começou no chão e seguiu ao céu, como bem diz a letra da música da Jayne que usei para começar este texto.

Aos que não gostam de rodeio, pedimos apenas silêncio e respeito. Afinal, é uma vida que se vai. É um sonho que termina da pior forma. É um homem, neto, filho, pai, amigo... humano como eu, como nós.

Não podemos questionar, devemos apenas aceitar.

Que neste momento direcionemos orações, rezas e pensamento positivos a essa família, que como todas as outras, veem seus meninos saírem de casa sem saberem se voltarão.

Desta vez o Giliard não voltará...

Como eu queria não escrever esse texto, mas foi a única forma de homenagear ele e tantos outros que levam o esporte a sério, que seguem regras e não deixam morrer uma tradição.

Continuemos nossa luta por todos os que aqui estão...

Continuemos na luta para mostrar que nem todo menino brasileiro sonha em ser jogador de futebol na Europa.

Temos muitos meninos que treinam em tambores desde criança e sonham em ser campeões mundiais de montarias em touros nos EUA.

Que Deus receba o Giliard... que Deus conforte os dele que aqui ficam.

"Esses meninos cowboys..."

Autoria (na integra): Thaís Gianotti